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- A capa fofésima e as ilustrações foferésimas do livro levam a assinatura de Axel Sande, que sacou direitinho o clima da história. Amei ver as minhas meninas, Gabi, Manu e Ritinha, desenhadas por ele. Ficaram lindas!

- A primeira coisa que você faz quando abre uma revista é ver se tem teste? Pois Tudo por um Pop Star tem! Um teste feito sob medida para revelar que tipo de fã você é: contida? Discreta? Ou fanática?

- As meninas do livro são de Resende porque se fossem do Rio estariam acostumadas a esbarrar com famosos na rua, no shopping, no cinema. Acho que o fato de as protagonistas serem de uma cidade do interior dá mais charme à história.

Minhas histórias de tiete (sim, eu também já fui uma)

- No telefone com o Paulo Ricardo - essa história entrou no livro, adaptada. Quando eu tinha uns 11, 12 anos, o RPM veio fazer um show aqui no Rio e se hospedou no hotel Méridien. Como eu era louca por eles, liguei para lá o dia inteiro, a fim de que me transferissem para o quarto da banda. 10, 20, 30, 57, 89 telefonemas... nada! Liguei de meio-dia às oito da noite incessantemente. Tentei, em vão, ficar amiga de infância dos telefonistas do hotel, apelei para as lágrimas e o escândalo, nada deu certo. De repente, me bateu um clique. "E se eu pedir para o meu vizinho, que é mais velho e fala inglês, ligar?", arquitetei. "Ele finge que é um empresário americano que quer contratar o show do RPM para algum lugar dos Estados Unidos e pronto! Duvido que eles deixem de atender", pensei. Plano bolado, tudo ensaiado, ele telefonou e, bingo!, deu certo. O Paulo Ricardo atendeu. Repetindo: o Paulo Ricardo, o cara com quem eu tentava falar há horas, o cara que eu mais amava no show business, o cara que eu achava mais lindo, mais cuticuti e butitinho do pop nacional, estava finalmente do outro lado da linha. Ele disse, com aquela vozinha rouca: Hello. Eu disse Hello de volta. Ele disse Yes? Eu disse, com sotaque americano (é! É! Sotaque americano! Não me faça comentar essa parte, por favor!): "Paolo Ricarrrdou?". Seguiu-se mais um yes do outro lado. Imediatamente depois, fiz a minha revelação, consideráveis decibéis acima: EU TE AMO! Eu te amo, Paulo Ricardo! Você e o Fernando Deluqui! Você e o Deluqui! Fala para ele?".

Aí, sem mais nem menos, tchum!, desliguei na cara do pobre coitado, sem dó nem piedade, assim, na maior falta de educação, na maior falta de noção do mundo! Dá para entender cabeça de tiete? Não, claro que não! Mas, por acaso, dá para entender o que eu tanto queria falar com o PAULO RICARDO? Não! Mil vezes não! Que assunto eu teria com esse homem, Deus meu?

- Eu e Menudo, Menudo e eu -  O show do Menudo (para não tem idéia do que foi Menudo, hoje eles seriam uma versão masculina do Rouge, só que com sotaque porto-riquenho. Para quem sabe quem foram, ou o que foram, como queira, FUI FÃ DELES, SIM! O QUE É QUE TEM? ERRAR É HUMANO!!!) aconteceu no São Januário, estádio do Vasco da Gama, longe ààà beça de onde eu morava. Mas claro que fui, o Menudo era tudo na minha vida. E na vida de todas as minhas amigas e das amigas das amigas das minhas amigas, tá? Todas queriam namorar um menudo, tirar foto com um menudo, tocar num menudo, ter o autógrafo de um menudo, chegar perto de um menudo. E pensar que os caras eram o cúmulo, o retrato da cafonice e do mau gosto, e eram feios de dar dó! E cantavam mal demais! Mas isso não vem ao caso. Quero contar aqui o quanto me irritei quando percebi que, das arquibancadas, os cinco Menudos, juntos, teriam, quando aparecessem, o tamanho da cabeça de um alfinete. Quando o show começou, não bastasse constatar que os meninos pareciam mesmo cabeças de alfinete animadas que se apresentavam em playback, todas as fãs da arquibancada resolveram abrir cartazes e mensagens enormes para "mostrá-las" aos Menudos. Fala sério! "Olha aqui minha carta de um quilômetro com 'eu te amo' escrito 197 mil vezes, Robby!", esgoelavam-se umas. "Puerto Rico, eu te amoooo!", berravam outras, ensandecidas por completo. O pouquinho que eu conseguia ver do palco foi para o brejo com a muralha branca que se formou. Uma lástima. Tudo o que eu queria era que uma súbita ventania aparecesse e transformasse em poeira toda e qualquer cartolina ou pedaço de papel. Lembro de gritar inutilmente: "Abaixa isso, gente! Nós mal conseguimos ver os caras, é CLARO que eles não vão conseguir ler nada disso que vocês trouxeram, né? Deeeer!". Em troca, recebi um Shhhhhhhhh!!! coletivo e calei minha boca. Garotas chatas! E burras! Humpf!

Um upa no Paulinho da Viola - Finalmente, aos 45 do segundo tempo, uma história de tiete bacana no meu currículo (achou que não teria, né?). Já bem mais velha, do alto dos meus 20, 21 anos, não me lembro ao certo, e com o gosto musical bem mais apurado do que no meu tempo aborrescente, parti para a Sapucaí para desfilar pela Portela. Uma amiga arrumou uma camiseta de última hora e, quando dei por mim, estava entre a diretoria e baluartes da azul-e-branco de Madureira me esbaldando na avenida. O mais bacana dessa história: era o ano em que o Paulinho da Viola voltava a desfilar pela escola, depois de não sei quanto tempo de afastamento. E ele, que estava feliz de dar gosto, desfilou do meu lado! Na mesma ala! Camiseta porreta minha amiga arranjara. Foi muito legal desfilar lado a lado com um bamba desses, que me fascina não só pela música, mas pela simplicidade. Ao fim do desfile, flashes, câmeras, microfones e fãs, todos mirando em Paulinho, boa-praça, atencioso e elegante como sempre. Um tempo depois, com o olhar vagando pelas caras cansadas, extasiadas e fantasiadas da Praça da Apoteose, avistei Paulinho novamente, ainda deslumbrado com o desfile, com aquele espetáculo povo, com sua escola do coração levantando a arquibancada, incrivelmente sozinho, depois de tanto assédio. Eu, mais que fã, admiradora incondicional, aproximei-me dele. Para fazer o quê? Não tinha a menor idéia. Na minha cabeça, só uma certeza: eu pre-ci-sa-va falar com o Paulinho. Não queria encher seu saco e pedir autógrafo. Queria apenas chegar perto dele. Ah! Sei lá para quê! Não conhece fã? Olhei para ele e seu sorriso simpático foi a senha que eu precisava para me sentir confortável e pedir, ainda no clima de felicidade momesca: "Paulinho, posso te dar um upa?", perguntei. Ele disse: "Um upa?". E eu expliquei que era uma forma carinhosa que uma amiga tinha de dizer "abraço apertado". E não é que ele abriu os braços e o sorrisão, mandou um "claaaaro!" e me deu um "upa" inesquecível? Esmagado, sem pressa, com emoção, carinho, vontade, usando todos os músculos do corpo. O cara. O Paulinho da Viola. Eu, claro, "senti meu coração apressado, todo o meu corpo tomado". Mandei um "Bem-vindo de volta (à Portela, claro. No maior estilo eu fazendo as honras da comunidade, entende? Quá! Ah, no Carnaval a gente surta um pouco, normal)". Ele agradeceu sorrindo. Depois, nos desejamos bom carnaval e ele me disse, fofo: "Te vejo no sábado". Nós nos despedimos. Ele continuou olhando tudo em volta, babando, não sendo incomodado por ninguém. Totalmente gente-como-a-gente.

Infelizmente, a Portela não ficou entre as cinco finalistas, e eu não vi o Paulinho no sábado seguinte. Não ligo. Era muita ousadia querer que Momo bisasse um momento tão especial, que fez meu Carná daquele ano inesquecível: um upa, com a Praça da Apoteose de testemunha, dado pelo Paulinho da Viola.